Faltam cerca de 4 horas para 2012. E só agora, na cara do gol, que eu resolvi escrever meu texto de fim de ano. Comecei a escrever esses textos a uns dois anos. Este, talvez, seja o terceiro. E arrumei um tempinho para escrever porque quero fazer disso uma tradição, afinal, nunca se sabe quando, lá na frente, eu vou querer lembrar desses últimos anos de adolescência com detalhes - e saudosista como eu já sou, não duvido que isso aconteça.E por que eu deixei para escrever o meu texto de fim de ano tão... no final do ano? É porque neste 2011 eu nunca escrevi tanto, nunca corri, trabalhei, estudei tanto. Eu encerrei o último texto de fim de ano dizendo que eu tinha muitas expectativas para este que agora se vai e a verdade é que, agora, eu nem me lembro quais eram essas expectativas de tão bom que 2011 foi!Pra começar, e de novo, a Campus Party deste ano foi incrível. Foi a melhor de todas, inclusive. Conheci de novo muitas pessoas incríveis que se tornaram amigos muito próximos e também muito queridos. Como uma boa parte deles moravam no Rio, não teve jeito: em Julho, fui obrigado a voar (pela primeira vez!) para a Cidade Maravilhosa para matar a saudade. E conhecer o Rio foi AWESOME. Tão AWESOME que tive que pegar uma carona com um amigo muito especial que 2011 me trouxe (JP, \_o_/), voltar ao Rio e passar o fim de semana mais inesquecível do ano!Agora tenho que voltar um pouquinho lá para o começo de 2011 para lembrar do acontecimento mais trágico do ano: O SEXTETO SE SEPAROU!!1!!ONZE!! Compulsoriamente, saí do 2ºD e fui para o 2ºA. E foi complicado... no início. Não conhecia ninguém na nova sala, enviei uma carta de três páginas para a direção da escola que, com muita delicadeza, se reuniu comigo e me disse que eu ficaria no A. Definitivamente. Para sempre. E no final, foi ótimo. Nunca estive numa sala tão unida, com coleguinhas maravilhosos e amigas indescritíveis (Vic, Tay, SUAS LOKA DO FUNK! Dani, Karol, vocês me ajudaram muito! Amo Vocês!). O sexteto <3, apesar da separação - e do Tubino ter desistido da vida acadêmica - continuou unido pelos rolês......MAIS FODAS DA FACE DA HUMANIDADE. Tão fodas que merecem um parágrafo à parte. Um paragráfo simples, assim, porque as coisas que aconteceram são completamente impublicáveis - e também não passam de alguns fragmentos na memória. :P Também é válido lembrar aqui de algumas coisas que aconteceram. Mas sem descrever nada também - entendedores entenderam, viu, Gabriel Justo do futuro! HAHAHAHAHAHA!Em Agosto de 2010, eu comprei um Nokia. Era meu primeiro smartphone e eu estava muito feliz, até que eu percebi que eu o odiava e não o aguentava mais. Isso se tornou uma meta para 2011: comprar um iPhone. Depois de passar o ano todo economizando, finalmente ele está aqui na minha mãe, todo lindo! E isso só foi possível por conta da melhor coisa que em aconteceu esse ano: durante a Campus Party, eu fui convidado a colaborar com o blog da Rae,MP. Um trampo sério, que só me trouxe felicidade e boas experiências em 2011, o que inclui, é claro, muita responsabilidade e trabalho - lembra que eu disse que escrevi bastante? :DPor fim, deixo um enorme obrigado a todos que de alguma forma participaram de tudo que aconteceu neste ano. É clichê dizer isso, mas, sem vocês, não seria possível chegar ao dia 31 de Dezembro tão feliz como eu estou com um balanço tão positivo dos últimos 365 dias.E que venha 2012! ;)
Post especial, publicado originalmente (em versão reduzida) no blog da Rae,MP
De longe, minha maior surpresa no âmbito escolar dos últimos anos foi quando, no começo deste ano, uma professora entrou na sala e disse: “Sou professora de uma nova disciplina aqui na escola chamada SIC (Sistemas de Informação e Comunicação) e eu quero que vocês criem um blog”. Na hora, eu quase chorei de emoção.
Melhor ainda foi quando meu novo professor de história disse que também usaria esse blog para compôr a nota de todos os alunos. Certo dia, lendo este blog aqui, ele me sugeriu nos comentários (sério!) que eu fizesse um post falando sobre como seria a escola perfeita pra mim. Então, tio Ernesto, vamos lá!
Hoje pela manhã, uma manchete na Folha de S. Paulo me deixou espantado: “Aluna põe lição no Facebook e é suspensa”. A matéria tratava sobre uma garota de 15 anos que criou um grupo no Facebook para compartilhar as respostas/soluções de todas as atividades passadas pelos professores do colégio carioca pH. A escola descobriu e pressionou a aluna a apagar a página e dizendo que, caso contrário, seus pais seriam presos por crime cibernético. Ela não apagou o Grupo e foi mandada para casa de táxi. Sua mãe, agora, está processando o colégio.
Obviamente a conduta da escola em pressionar e suspender a aluna foi completamente errada. Mas essa situação revela algo pior: o despreparo dos profissionais de educação em lidar com o uso da internet e das redes sociais no ambiente pedagógico. Se a aluna pode discutir um assunto com os colegas em um trabalho em grupo, por exemplo, porque não pode fazê-lo na internet?
Se alguém fosse transportado de um passado remoto para hoje, a única instituição que reconheceria seria a escola, onde quase nada mudou
Uma coisa é fato: o modelo atual de ensino está ultrapassado. Tão ultrapassado que até Rubinho Barrichelo ficaria com pena dele. As escolas como nós conhecemos hoje foram criadas no final do Século XVIII, começo do Século XIX, e seguiram exatamente o modelo de linha de produção criado na Revolução Industrial: crianças nascem, entram e saem da escola com a mesma idade, “aprendendo” sempre as mesmas coisas. O problema é que, ao contrário disso, cada um tem suas habilidades, seu modo e seu tempo de aplicá-las. E isso não é desenvolvido e aproveitado na escola.
Eu amo escrever. Enquanto estou aqui em frente ao computador digitando como um louco, tenho certeza que um amigo meu que se dá muito bem com matemática está procurando uma co-tangente X no arco trigonométrico para aquela lista de exercícios que o professor passou. Ou seja, enquanto eu sofro sozinho estudando para tirar nota mínima na prova de matemática, ele deve estar se preocupando em como fazer uma redação bacana em meio ao nervosismo da semana de provas - coisa com a qual eu, modéstia a parte, não me preocupo. Tudo isso por culpa não dos nossos professores, mas de todo um conjunto de fatores que trouxe e manteve o sistema de ensino nesse padrão.
Um exemplo perfeito de como as escolas deveriam ser é a Escola da Ponte, em Vila das Aves, Portugal. Considerada modelo mundial de educação, a instituição (que, à propósito, é pública) foge de todos os padrões de educação. Nada de alunos agrupados por faixas etárias em salas de aulas, aprendendo um conteúdo “enlatado”. Lá, a escola é dividida em espaços de trabalho que qualquer um dos alunos matriculados pode ter acesso para trabalharem em grupo - de acordo com os SEUS interesses-, para compartilhar e aprender.
Se existe planejamento do currículo escolar? É claro. Ele é definido pelos orientadores em conjunto com os alunos - a palavra “professor” não se aplica por lá. Também é assim que se estabelecem as regras de convivência e os direitos e deveres de alunos e orientadores. A Reunião de Pais e Mestres também sai de cena: na Escola da Ponte, as reuniões com os pais são mensais e não servem apenas para divulgar o desempenho dos filhos aos seus responsáveis, mas também para que estes acompanhem de perto e com frequência o andamento de toda a escola.
Se você, ao ler tudo isso, está pensando que no Brasil uma escola como essa é inviável, se enganou. No bairro do Butantã, aqui na capital paulista, a EMEF Desembargador Amorim Lima foi a primeira escola brasileira (e talvez a única) a fugir do padrão e adotar o sistema de educação da Escola da Ponte. E claro, deu e está dando certo até hoje. Infelizmente, não são todas as escolas que hoje são assim e, tenho certeza, vai demorar muito pra que isso aconteça. Talvez só meus netos possam estudar numa Escola da Ponte. Mas até lá, ficar de braços cruzados não é o melhor a se fazer. Pequenas iniciativas podem mudar o modo de como o aluno enxerga escola e consequentemente torná-la um ambiente agradável para discutir o mundo, fazer amizades e, principalmente, preparar um aluno - em todos os aspectos - para a vida adulta.
Não me sinto estimulado para ir à escola. Vou por obrigação. Escola, hoje, é só mais uma burocracia pela qual eu tenho que passar
No modelo atual de ensino, uma simples atividade em dupla torna a sala de aula um verdadeiro inferno para alunos e professores, pois vemos isso como uma oportunidade para conversar sobre coisas que não são pertinentes à aula. Mas, pense bem professor: se fossemos educados desde o começo para compartilhar conhecimento, e não ser apenas uma máquina receptoras de informação, isso não aconteceria.
O mesmo serve para a internet, a tecnologia e as redes sociais: elas já fazem parte da vida dos alunos e proibí-las no ambiente escolar é como dar murro em ponta de faca. O ideal seria incorporá-las à vida estudantil, educando os alunos a usar essas “novidades” da forma correta (nada de cartilhas pelo-amor-de-deus!) para que elas sejam mais um instrumento de aprendizagem e não um motivo de dispersão e brigas entre professor e aluno em sala de aula.
Uma escola que realmente prepara um aluno para o futuro é aquela que estimula o que ele tem de melhor, sua criatividade, e não a que o obriga a fazer coisas que ele não precisa. Para mudar, são necessários apenas um pouco de vontade e dedicação. Com essa base, o resto é consequência. Vamos mudar?
-- Caso você queira se aprofundar mais no assunto, ou apenas ter uma ideia de como especialistas em educação veem essa situação, sugiro três links:
Este aqui, é uma pequena palestra do escritor britânico Ken Robinson que critica e aponta soluções para a educação atual (e que inspirou este post);
Este outro é uma entrevista do educador e dirigente da Escola da Ponte ao Itaú Cultural, onde ele explica tudo sobre o projeto;
Por fim, este último, onde o blog Foco em Gerações entrevistou dois estudantes universitários brasileiros para saber como eles veem as suas salas de aula.
Michael tem 45 anos, é ex-dançarino da Broadway e hoje trabalha como professor de dança numa escola especializada; Lily, 72 anos, é apenas uma senhora rica e solitária, que foi apaixonada pela dança a vida toda. O ponto em comum entre os dois personagens, claro, é a dança. Mas “Seis Aulas de Dança em Seis Semanas” veio para provar aquele ditado que diz que “quem vê cara, não vê coração”.
Lily já é velha, se sente excluída do mundo e finge ter um marido para criar, aos olhos desconhecidos, a imagem de que ela é protegida e amada pelo já finado homem de sua vida. Sua única “companhia” é a vizinha de baixo, outra senhora - esta já um pouco caduca - que telefona vez ou outra para comentar qualquer coisa. No auge de sua solidão, Lily resolve contratar um pacote de seis aulas de dança em seis semanas para tirá-la do marasmo. É aí que Lily conhece Michael. De início, ela o odeia pelo seu jeito grosso e desbocado de agir.
O espetáculo, como nome sugere, se passa durante as aulas de dança, mostrando a fundo a relação entre Lily e Michael. Ao mesmo tempo em que são opostos - ele um “durão” e ela uma frágil senhora -, eles tem muitas coisas em comum, principalmente quando os temas são amigos, família, sonhos e preconceitos.
“Seis Aulas de Dança...” é uma montanha russa emocional. Com uma dramaturgia bem trabalhada, o espetáculo começa como uma comédia de riso fácil, com um humor leve e inteligente, seguido de uma cena mais séria aqui e acolá. Mais risos e de repente o público está mergulhado num drama tão denso quanto o da vida real, levando o espectador às lágrimas tão rápido quanto o fez rir. Tudo muito bem coordenado pelo excelente Ernesto Piccolo.
Essa oscilação emocional é permeada por belíssimos números de dança coreografados por Carlinhos de Jesus, que vão do tango ao chá-chá-chá. Os dançarinos estão à altura: Suely Franco e Tuca Andrada são extremamente carismáticos sorrindo e dançando, assim como também se saem bem nas cenas dramáticas, provando mais uma vez que são ótimos atores, com uma versatilidade difícil de encontrar.
Para contrastar com os altos e baixos do texto, o cenário da peça é simples e sóbrio, incrementado por um grande painel que se torna a janela do apartamento de Lily, mostrando as lindas paisagens que só um morador da orla de Copacabana pode ter. Figurinos e iluminação também são muito bem feitos, dando um toque nostálgico e delicado ao espetáculo.
“Seis Aulas de Dança...” é um espetáculo completo, perfeito para quem quer o melhor do teatro. Tudo é incrivelmente bem feito, do texto à trilha sonora, criando um espetáculo harmônico, gostoso de assistir - contando, principalmente, com os extremos de emoção aos quais o público é levado.
-- "Seis Aulas de Dança em Seis Semanas”
Onde: Teatro Renaissance (462) - Al. Santos, 2233, Cerqueira César, tel.(11)2122.4142 Quando: Sextas às 21h30, Sábados às 21h e Domingos, às 19h - até 31/07 Quanto: de R$35 a R$80 Classificação indicativa: 12 anos
Assistir “Evita”, pra mim, foi como ir ao teatro pela primeira vez novamente. Foi o primeiro musical dirigido por Jorge Takla que eu assisti e o primeiro com Daniel Boaventura. Ver Paula Capovilla nos palcos também foi uma coisa nova e, tirando o intragável “Cats”, foi a primeira obra de Andrew Lloyd Webber que eu vi executada num palco (pois é, eu não assisti “O Fantasma da Ópera”).
Logo de início, não fui com a cara de “Evita”, mas tudo mudou depois que eu fui à Coletiva de Imprensa do espetáculo, que além de mostrar um making-of bem animador, teve também um pocket show de Daniel, Paula e Fred Silveira (que interpreta Che Guevara). Isso sem contar o programa do espetáculo, extremamente bem feito, de cair o queixo! A partir daí, não via a hora de assistir!
“Evita - O Musical” conta a controversa história de Eva Perón, ex-Primeira-dama argentina, mulher nascida pobre no interior do País, que alcançou a fama mundial e depois morreu sendo considerada uma santa no seu País. A cena que abre o musical é a do enterro da protagonista e a partir daí, a história de Evita vai sendo contada em flashbacks, sempre com a presença de Che Guevara (Fred Silveira) como um contraponto a Evita, denegrindo a sua imagem, mostrando o “outro lado” das benfeitorias do Peronismo.
Fred Silveira, que tem no espetáculo um dos maiores de sua carreira, interpreta um Che Guevara bastante sarcástico e sagaz, diferente do Che de Antônio Banderas na versão cinematográfica da montagem. Apesar do bom trabalho de Paula Capovilla, tanto cantando (“Não Chores por Mim, Argentina”), quanto dançando (“Buenos Aires”), e também de Daniel Boaventura - apesar de ter um papel relativamente pequeno -, Fred é quem realmente carrega o musical nas costas, quebrando sempre a monotonia com sua grande voz e seus sorrisos ambíguos.
Se por um lado Takla acertou na escolha do elenco, por outro, errou feio criando para “Evita” uma cenografia extremamente pobre. Ele e o cenógrafo Paulo Corrêa, que juntos assinam os cenários do musical, optaram apenas por enormes paredões brancos que, durante todo o espetáculo, recebem projeções de fotos da vida de Evita - e outros bem toscas, como a de um arco-íris e cifrões, completamente desnecessárias. Em determinados momentos, essas projeções caem muito bem, situando o espectador na linha do tempo do espetáculo, o que é imprescindível num musical biográfico, mas na maioria das vezes, as projeções o engessam, deixando em segundo plano o que realmente acontece no palco.
O uso de projeções em musicais não é algo novo. Vários musicais da Broadway usam e abusam do recurso, e até algumas montagens brasileiras já tiveram cenários compostos quase que exclusivamente por projeções, como “Pernas Pro Ar”. Aliás, é impossível ver os paredões brancos de “Evita” e não lembrar automaticamente dos paredões branco-sujo do musical estrelado por Cláudia Raia; como dizem, “nada se cria, tudo se copia”.
“Evita” foi escrito por Andrew Lloyd Webber, um dos maiores nomes do teatro musical no mundo. Ele, aqui, optou por criar um musical sem nenhum diálogo. Todas as falas, salvo uma aqui e acolá, são cantadas. Infelizmente o único musical de Webber que eu assisti antes de “Evita” foi “Cats”, onde isso deu muito certo. Mas dessa vez, não deu. Acredito que, por ser um musical biográfico, o estilo de Webber é o que menos se encaixa no que pra mim seria o musical perfeito para falar sobre Evita.
Mesmo se você nunca ouviu falar de Eva Perón, é bem provável que você já tenha ouvido a clássica “Don’t Cry for Me, Argentina”. Escrita por Tim Rice, a música é para “Evita” o que “Memory” é para “Cats”: ultrapassou os limites do teatro e do cinema para virar um hit. Mais uma grande responsabilidade para Cláudio Botelho, que traduziu essa e todas as outras letras do musical. E o fez muito bem. As versões em português do espetáculo ficaram tão bonitas quanto as originais, ou até melhores, como no caso de “Oh What a Circus”.
No geral, o novo musical de Jorge Takla é “bonito”. Tem ótimos atores/cantores, lindas músicas, mas desenrola uma narrativa fraca, além de pecar nos cenários. Apesar de ser um musical biográfico, aconselho que para saber “...quem foi a Santa Evita, que arranca tantos histéricos gritos...”, você dê uma pesquisada na vida dela antes, para não sair do teatro com a sensação de tempo perdido.
--
Eu também falei de "Evita" no Folhateen. Leia aqui.
--
"Evita - O Musical” Onde: Teatro Alfa (1.100 lugares) - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel.(11)5693.4000 Quando: Quintas às 21h, Sextas às 21h30, Sábados às 17h e 21h e Domingos, às 16h e 20h (a partir de Junho, haverá apenas uma sessão aos domingos, às 18h) - até 29/06 Quanto: de R$20 a R$185 Classificação indicativa: 12 anos
Eu lembro quando, pela primeira vez, uma professora de arte veio explicar o que era o abstracionismo. Lembro também que fiquei fascinado! Algumas obras eram realmente bonitas, e outras (as que eu criava), me rendiam notas sem que eu tivesse muito trabalho, afinal, nunca gostei de desenhar/pintar.
É engraçado como as nossas opiniões mudam com o passar do tempo. O que antes eu adorava pela simplicidade, hoje me provoca certa repulsa por ser considerado arte - em alguns casos.. Isso porque arte pra mim é algo que, independente do gênero, me faz pensar, me desperta curiosidade. Chama a minha atenção pra um olhar mais profundo sobre algo ou alguém. E assim é “Menecma”, espetáculo que estreou na última sexta-feira no Teatro Popular do SESI.
Apesar de o título ser uma palavra não muito usual no nosso cotidiano, os nomes que estão por trás da peça você conhece bem: o texto é de Bráulio Mantovani - que eu já elogiei aqui por “Tropa de Elite 2” - e a direção é da incrível Laís Bodanzky, que além de ter dirigido “O Bicho de Sete Cabeças”, também fez um trabalho extraordinário em “As Melhores Coisas do Mundo” (filme que é um xodó pra mim desde que eu participei de uma leitura do roteiro, antes mesmo do filme receber o nome com o qual foi lançado).
“Menecma”, que começou a ser escrita por Mantovani em 1992 - mais velha que eu! - começa com Guilherme (Gustavo Machado), na sala de um antigo casarão, tentando montar um documentário sobre a vida do seu recém-falecido pai, Cláudio Polônio, um “grande e controverso” ator de teatro. O problema é que Guilherme é incomodado pelo barulho de um piano extremamente mal tocado, que vem do andar de cima. Um policial na rua ouve dois tiros e vem até a casa saber o que aconteceu. E a partir daí o espectador deve se deixar levar pelo complexo e confuso texto de “Menecma”.
Eu deveria explicar um pouco mais da história da peça, mas não posso. Como a própria Laís Bodanzky já disse em entrevistas por aí, a parte mais interessante do texto de Mantovani é que ele é “aberto a várias interpretações”. E esse abstracionismo é daqueles que eu disse que me agrada: desde a hora que saí do teatro até chegar em casa, não consegui ocupar minha cabeça com outra coisa, a não ser entender “Menecma”.
Mas o que mais chama atenção nesse novo espetáculo do SESI é mesmo o cuidado com cada detalhe da produção. A cenografia de Cássio Amarante é afinada com o clima do espetáculo, e também com o excelente trabalho de iluminação de Marina Stoll, que juntos dão à “Menecma” um dinamismo incrível, que combina tanto com os momentos sombrios quanto com o humor perspicaz que permeia todo o espetáculo.
Todo o elenco é bastante talentoso - não poderia ser de outra forma. Mas Paula Cohen se destaca pela sua surpreendente atuação no papel de Julie. Ou quem sabe, de Giulia? MENECMA! Roney Facchini também faz um excelente trabalho, ora como o policial desajeitado que está em cena, ora como pai de Guilherme, em projeções.
Apesar de “Menecma” ter sido escrita antes do sucesso de Bráulio Mantovani no cinema, sua obra tem várias referências que misturam de uma forma bem interessante teatro e cinema. Além do pano de fundo do espetáculo ser um filho montando um documentário sobre o pai, a montagem também é cheia de projeções em uma tela no fundo do palco, que mostram ao público não só o que está no computador do protagonista, mas também o que ele filma na hora, ali no palco mesmo. Laís Bodanzky também acerta o ponto na hora de fazer essa mistura!
“Menecma” é um espetáculo sensacional, que intriga quem assiste com muito mistério, morte, comédia e que com certeza ainda vai aparecer por aí em várias listas de prêmio de teatro. Corra pra ver!
-- “Menecma”
Onde: Teatro Popular do Sesi (456 lugares) - Av. Paulista, 1313, Cerqueira César, tel.(11)3146.7405 Quando: de Quinta à Domingo, às 20h Quanto: de R$5 a R$10 - entrada franca as Quintas e Sextas (distribuição de ingresso a partir das 12h) Classificação indicativa: 14 anos
De uns tempos pra cá, o que mais tem acontecido no Brasil é a falta de energia. Quem mora em São Paulo, principalmente, sabe do que eu estou falando: é só cair umas gotinhas que a cidade para e, claro, a energia acaba. Mesmo estando sem luz, ainda temos água, telefone, internet e reclamamos - com razão, claro. Mas imagine-se na seguinte situação: você é um bom alpinista, seguro de si, que sem avisar ninguém resolve explorar um cânion. Durante a caminhada, você sofre um acidente e acaba ficando com o braço preso por uma pedra. As únicas coisas que você tem são seu equipamento de escalada, uma câmera e seu pequeno estoque de água e comida
Dá até uma certa aflição, né? Pois essa é a história real de Aron Ralston, um famoso alpinista que ficou pouco mais de 5 dias (ou seja, as 127 Horas do título) nessa situação. Sua história se tornou um livro, que agora virou filme nas mãos do diretor Danny Boyle (“Trainspotting”, “Quem Quer Ser um Milionário?”), conseguindo 5 indicações ao Oscar.
Quando eu vi a lista de indicados, não me interessei por “127 Horas”. Mas como a @mariliacarvalho sugeriu que falasse sobre ele aqui no blog, eu baixei e assisti. Logo no começo, Aron (James Franco) conhece duas garotas e se oferece como guia turístico, despendindo-se delas logo depois. Essa é a única parte fictícia do filme. Depois disso, “o filme chega a ser quase um documentário, de tão preciso e exato em relação ao que aconteceu”, na palavras de Aron. A câmera usada pelo personagem é a mesma que o alpinista usava para filmar seus depoimentos quando estava preso à rocha.
A ideia de fazer este filme vem desde muito tempo atrás. “Between a Rock and a Hard Place”, livro que inspirou Danny Boyle a fazer o filme, foi publicado em 2004. E eu acredito que de lá pra cá o diretor tenha trabalhado dias e noites sem parar para conseguir fazer um roteiro tão brilhante como o que eu assisti. Porque, vamos combinar, mostrar com tantos detalhes a história de um cara que ficou preso num cânion durante cinco dias não é nada fácil, principalmente quando se fala em interesse do espectador.
E parece que, não satisfeito em fazer um roteiro tão bom, Boyle dirigiu o filme de maneira incrível, mandando bem do começo ao fim do filme. O destaque fica para a cena da chuva - em que o cânion vira um rio -, e para a cena em que Aron tenta cortar o seu braço. Isso sem contar as câmeras dentro da garrafa d’água e da bolsa de hidratação, por exemplo, e as alucinações de Ralston. A expecional atuação de James Franco, afinada com a direção, deixa o filme ainda mais interessante.
Não acredito que “127 Horas” ganhe como Melhor Filme, afinal, ele concorre com outros vários filmes muito superiores a ele. Mas mesmo não levando o prêmio principal, vale a pena assistir o filme apenas por diversão mesmo. E claro, para ficar fascinado com as paisagens de Utah.
Recentemente, passei por uma situação bem chata. Fazia cerca de 4 meses que eu não via uma amiga de infância, então resolvi levá-la ao cinema para matar a saudade e rir um pouco. Como não observamos os horários das sessões, o horário do último ônibus decidiu o filme que nós assistiríamos: "Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família". Pelo nome, já sabia que não seria grande coisa, e acertei! Não foi necessário nem uma hora de filme para que deixássemos a sala. O filme era péssimo, e como meu intuito era rever minha amiga e me divertir, deixar o cinema foi a melhor coisa que fiz. Não sei se o filme ficou mais engraçado depois que eu saí da sala, mas a primeira impressão é a que fica.
Esse é exatamente o caso de "O Vencedor". O filme, que recebeu sete indicações ao Oscar - Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante, duas indicações a Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Edição -, e conta a história real de Micky Ward e seu meio-irmão, Dicky Eklund. Dicky é um ex-boxeador que perdeu suas chances de fazer sucesso. Seu irmão, Micky, que sempre viveu à sua sombra, agora tem a chance de ter o sucesso que seu o irmão não teve, mas para isso, tem que enfrentar o "favoritismo" de sua família pelo irmão mais velho e escolher entre ela e sua namorada/amigos, que querem fazer dele o que ele sempre quis ser.
Os primeiro 20 minutos de filme, apesar de serem importantíssimos para o entendimento da história, são extremamente entediantes. Eles são como bastidores do documentário sobre a vida de Dicky, e o real protagonista da história, Micky, quase não aparece. Só depois desse início bem fraco é que o filme começa a engrenar, focando mais em Micky, seus problemas e dilemas, e não em seu irmão. Mas o filme só fica bom mesmo quando o irmão mais velho sai da cadeia e Micky fica dividido entre o seu possível sucesso (coisa que o irmão nunca teve, de fato) e sua família, que apesar de exploradora, o ama.
O elenco é bom. Christian Bale é perfeito em seu papel (Dicky), assim como Mark Wahlberg, que apesar de fazer um personagem inseguro durante boa parte dos 155 minutos de filme, sabe chamar a atenção nas cenas mais importantes. Mesmo com a boa atuação dos dois, quem realmente carrega todo o drama do filme nas costas é Amy Adams. Desde sua primeira aparição até a última cena, ela se destaca do resto do elenco.
Sem dúvidas, o que mais me agradou em "O Vencedor" foi a trilha sonora. Michael Brook mais que caprichou! Ele, que entre muitas outras, foi responsável pelas trilhas de "Missão Impossível 2" e "Uma Verdade Inconveniente", escolheu a dedo as músicas para este filme. O resultado é uma trilha extremamente afinada com o espírito do filme. Bee Gees, Led Zeppelin, Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Rolling Stones e Ben Harper são só algumas das bandas que fazem parte da trilha criada por ele, e tornam o trabalho de Brook em uma das qualidades mais marcantes deste filme.
Outra coisa que me deixou feliz em "O Vencedor" foram as cenas de luta. Não pelas cenas em si, mas pela maneira como elas foram filmadas: como se fosse uma transmissão de TV. Aliás, a preocupação do David O. Russel em reproduzir fielmente o que aconteceu anos atrás é nítida. O diretor usou câmeras da época e também os comentários originais, feitos por Larry Merchant, Roy Jones Jr. e Jim Lampley, comentaristas da HBO. Até profissionais da emissora foram contratados por Russel para que, baseados nos vídeos das lutas originais, as recriassem perfeitamente.
Mesmo com todas as suas qualidades, acredito que "O Vencedor" ganhará poucos prêmios no próximo domingo. O filme é bom, e esse é o problema. Ele é apenas "bom".
Sem dúvida nenhuma, desde quando foram divulgados os filmes indicados ao Oscar, o filme mais comentado na internet brasileira foi “Cisne Negro”. Curioso, eu fui ver a lista e me interessei pela maioria dos filmes e então, decidi fazer uma maratona de críticas das obras indicados à Melhor Filme. Pra começar, nada melhor que “Cisne Negro”. Além de ter vencido a votação no Twitter, a história do filme gira em torno de dança. Dança lembra teatro e aí, já viu.
A história do filme, apesar de me parecer super interessante, é bem clichê. Nina é uma bailarina que sonha em fazer a Rainha Cisne do clássico balé “O Lago dos Cisnes”. Para isso, ela deve interpretar dois papéis, o Cisne Branco e o Cisne Negro. O primeiro não a atrapalha de maneira alguma, pois sua personalidade condiz com a da personagem: frágil, acanhado e belo. O problema está em interpretar o Cisne Negro, sensual e sedutor, que é totalmente o oposto de Nina, que se sente ameaçada por outra bailarina que se sai perfeitamente bem no papel. Além disso, Nina ainda tem a responsabilidade de ser “perfeita” como sua antecessora, agora aposentada.
Natalie Portman já ganhou 3 prêmios de Melhor Atriz pelo papel de Nina, e sem dúvida, a atriz mereceu todos eles. A ingenuidade da sua personagem nesse filme chega a irritar. Devido a superproteção de sua mãe, Nina cresceu como uma bebê, sem experimentar a vida, e por isso vive num mar de dúvidas e conflitos internos. Um papel dificílimo, contraditório do primeiro até o último minuto do filme, que Natalie desempenha com maestria.
Outro integrante do elenco que me chamou muita atenção foi o francês Vincent Cassel. Ele, que faz o diretor do “Lago dos Cisnes” do filme, apareceu logo na primeira cena contando às bailarinas a história do balé e, ao mesmo tempo, selecionando-as. Eu tinha certeza que conhecia Cassel de algum outro filme, e conhecia mesmo! Ele fez o Matias no brasileiro “À Deriva” (2009), de Heitor Dhalia. O filme é um drama adolescente com uma roupagem bastante adulta, onde Vincent fez o pai da protagonista, uma adolescente tão cheia de conflitos quanto sua escolhida em “Cisne Negro”.
Mesmo com um elenco muito bom, uma história encantadora (pelo menos pra mim) e um bom roteiro, “Cisne Negro” seria “só mais um”, não fosse a direção perfeita de Darren Aronofsky. Eu não sei descrever seu trabalho com termos técnicos, mas o jeito de como Aronofsky conduz a trama me agrada, e muito! O diretor trabalha a barreira entre o real e o irreal de uma maneira bastante explícita, mas ao mesmo tempo, sutil. Os constantes closes nos personagens, a agressividade nos cortes das imagens durante as cenas mais agitadas e suspense bem trabalhado são as marcas registradas do filme. Isso sem contar a trilha sonora!
Eu ainda não assisti os outros filmes indicados ao Oscar. Como eu disse, farei isso ao longo da semana. Mas mesmo sem ter como compará-lo com seus concorrentes, acredito que “Cisne Negro” tem grandes chances de faturar alguns prêmios. Quem sabe até o de melhor filme!
E fiquem ligadinhos que amanhã, aqui no blog, você vai ler sobre outro filme indicado ao Oscar. Enquanto isso aproveite e opine sobre “Cisne Negro” ali embaixo, nos comentários. ;)
Segundo coluna Gente Boa do jornal "O Globo", o protagonista do próximo musical de Charles Möeller e Claudio Botelho será José Mayer. A informação foi confirmada pelo site oficial da dupla.
José Mayer, famoso por ser o garanhão das novelas das 9h da Globo, dessa vez volta aos palcos para viver Tevye, um leiteiro que tenta manter as tradições judáicas da família, mas encontra dificuldades quando suas filhas rejeitam os casamentos que o pai arrumou para elas. Essa versão não tão conhecida de Zé Mayer tem estreia prevista para Junho, no teatro Oi Casa Grande, no Rio. O restante do elenco ainda não foi divulgado.
Em "Um Boêmio no Céu", José Mayer dividiu o palco com Antônio Pedro
O último trabalho de José Mayer no teatro foi em 2007, em São Paulo, onde interpretou o papel de um cachaceiro violeiro em "Um Boêmio no Céu" (foto acima). Acompanhado de uma viola, sua companheira inseparável, seu personagem interpretava 10 canções que foram escolhidas a dedo pelo ator especialmente para o espetáculo, que ficou pouco mais de um mês em cartaz.
Segundo críticas encontradas na internet, José Mayer canta bem. Será? Isso a gente confere daqui há alguns meses, em "Um Violinista no Telhado". Mas por enquanto, podemos ter uma "amostra" do que está por vir:
Texto originalmente publicado em 24/01/2011 no Folhateen
--
Georges e Albin são casados há 20 anos. Os dois são donos da Gaiola das Loucas, cabaré gay em Saint-Tropez, na França. Jean Michel, o filho deles, resolve se casar com a filha do presidente de um partido conservador e homofóbico e coloca seus pais numa situação complicada. Essa é a história do musical estrelado por Miguel Falabella e Diogo Vilela, em cartaz no Teatro Bradesco.
A adaptação feita por Falabella do clássico "La Cage aux Folles", de Jean Poiret, conta com mais 23 pessoas. Entre elas, 16 fazem as loucas da Gaiola, que no espetáculo mostram ter energia de sobra em vários números de dança e de sapateado.
Cenários e figurinos luxuosos são o forte da montagem, que às vezes peca por conta de algumas vozes que não agradam muito. Ainda assim, é o melhor trabalho de Falabella no teatro musical. É, com certeza, um espetáculo imperdível.
-- "A Gaiola das Loucas"
Onde: Teatro Bradesco (1.457 lugares) - Rua Turiassú, 2100, Pompéia, tel. (11)3670.4141 Quando: Quintas e Sábados às 21h; Sextas às 21h30 e Domingos às 19h (até 27/02) Quanto: de R$10 (visão prejudicada) a R$170 Classificação indicativa: 12 anos